Um caso em Filosofia Moral 2

Susana Cadilha

Joshua Greene e Marc Hauser realizaram experiências relacionadas com o dilema do trólei, e demais versões, efectivamente perguntando às pessoas quais são as suas intuições acerca dos casos, e qual a justificação que dão para essas intuições (no caso de Joshua Greene, a experiência incluía também monitorizar o cérebro das pessoas enquanto davam essas respostas).

A pergunta que se impõe, então, é a de saber qual a relevância dessas experiências. É realmente importante saber o que as pessoas pensam?

Quando filósofas como J.J. Thomson ou F. Kamm se referem a intuições, elas não estão realmente preocupadas com o que o comum das pessoas pensa. Pelo contrário, elas consideram que intuições claras acerca do assunto, assim como uma justificação que evoque o tal princípio do duplo efeito é algo que só é acessível depois de muita reflexão e treino filosófico. Mesmo estudantes de topo teriam dificuldade em responder de forma acertada. Isto é, parte-se do princípio que há uma intuição correcta, a que está conforme ao princípio do duplo efeito, e que nem toda a gente é capaz de perceber isso. Apelam-se às intuições comuns, mas dos filósofos.

De novo, lanço uma questão: qual destas visões podemos considerar como estando em melhores condições de nos fornecer uma teoria acerca da natureza dos nossos juízos morais?

Há um cânone, há uma resposta moralmente acertada para os dilemas que anteriormente referimos, e através de uma reflexão aturada alguns de nós são capazes de chegar ao princípio que a justifica?

Ou importa saber como é que a maioria das pessoas responde? E essa é uma forma válida para perceber qual a natureza dos juízos morais – destronando a ideia de que são juízos que se podem justificar racionalmente, e defendendo a ideia de que eles provêm de intuições cegas?

Se é um tema que diz respeito a todos, e em que todos somos capazes de pensar (e podemos pensar em problemas, ou dilemas, semelhantes, como o caso do aborto ou da eutanásia), porque é que as intuições certas estão do lado dos filósofos?

Referências:

The moral sense test – as experiências de Marc Hauser: http://moral.wjh.harvard.edu/

One comment

  1. De novo, acho que você apresenta um falso dilema, pois as bases argumentativas dos filósofos e as intuições das pessoas comuns não são, necessariamente, mutuamente excludentes.

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