Lógica Experimental

Joshua Knobe

Tradução: Rodrigo Cid

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Considere a seguinte frase:

(1) O círculo está perto do quadrado, e não está perto do quadrado.

Essa frase parece ser uma contradição, e, por isso, parece que os defensores da lógica clássica teriam de dizer que ela é falsa. No entanto, há outras lógicas – dialetheist logic LP (Graham Priest),  por exemplo – em que frases como esta podem revelar-se verdadeiras.

Uma questão que agora se coloca é: o que as pessoas comuns pensam de frases como (1)? As pessoas parecem ter a visão clássica de que essas frases têm de ser falsas, ou será que elas pensam que frases como (1) podem efectivamente revelarem-se verdadeiras?

Em um surpreendente novo artigo, David Ripley mostra que as pessoas estão realmente muito dispostas a manifestar concordância com frases aparentemente contraditórias como esta. Nos casos limítrofes entre ‘perto’ e o ‘não perto’, as pessoas sentiram que era perfeitamente aceitável considerar que um objecto pode estar “tanto perto como não perto”. Na verdade, elas estão tão dispostas a dizer que um objecto pode estar “tanto perto como não perto”, como a dizer que ele “nem está perto nem não perto”.

Este é um dos primeiros estudos a analisar sistematicamente as intuições das pessoas comuns sobre o estatuto das contradições e, até agora, parece que as pessoas pensam que as afirmações contraditórias podem realmente ser verdadeiras.

Posted by Joshua Knobe on Sunday, May 31, 2009 at 11:28 PM in Experimental Philosophy Blog

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Paper: Ripley, David (2009) “Contradictions at the borders”.

8 comentários

  1. luisledo · · Responder

    Habería que preguntarse se as persoas entenden as dúas partes da frase exactamente no mesmo sentido. Así, pode ser que entendan que o círculo está cerca do cadrado nalgún sentido, pero que non está cerca noutro sentido.

    A miña experiencia persoal é que a xente so é contraditoria en aparencia se nos quedamos co significado superficial da frase. Pero non é contraditoria se explicitamos o significado profundo co que entende cada parte da frase.

    Un cordial saúdo,
    Luis Manuel Ledo Regal

  2. Concordo com Luis. De alguma forma, para que as pessoas falem que uma contradição é verdadeira, elas devem entendê-la num certo sentido de modo que ela não seja uma contradição. Se fosse perguntado a essas pessoas o que elas pensam que significa “o objeto x não está perto e nem está não-perto do objeto y”, elas – se conseguissem explicar – diriam algo que dissolveria essa contradição, algo como “o objeto x está numa distância média de y, que por mim não é considerada nem perto nem longe” (já que “perto” e “longe” são conceitos vagos).

    As pessoas não pensam que contradições são verdadeiras. Ou melhor, faz-se preciso um experimento que meça se as pessoas acreditam que há contradições reais verdadeiras ou se acreditam que há contradições meramente superficiais verdadeiras.

  3. Caros Luis e Rodrigo,

    Tendo a concordar com vocês, no entanto, acho que é necessário ponderar o seguinte: por exemplo, explicar às pessoas o que é uma contradição, no sentido lógico, e depois perguntar-lhes se acreditam numa contradição parece-me não ser útil em termos experimentais. Qual seria uma boa experiência? Qual seria um bom desenho?

  4. Caro Carlos,

    Penso que uma boa experiência seria uma que indicaria quando as pessoas estão dispostas a aceitar contradições. Seria interessante fazer várias perguntas sobre contradições visíveis em maior ou menor grau. Com “visíveis em maior ou menor grau” quero dizer contradições que se mostram como contradições em maior ou menor grau. Acredito que 2 perguntas são interessantes: primeiro se há a contradição; e segundo, qual o sentido da contradição em causa. Caso a contradição seja diluída numa frase não contraditória pelo grupo pesquisado, isso mostraria que as pessoas não aceitam a existência de contradições na parte profunda do discurso, embora o aceitem na parte superficial. Caso a contradição não seja diluída, mas seja aceita, isso mostraria que as pessoas aceitam a existência de contradições reais na parte profunda do discurso. Caso a contradição não seja aceita e também não lhe seja asserido um sentido, isso mostraria que as pessoas não acreditam que há contradições reais. O que você acha?

    1. Rodrigo, acho que você está pronto para seguir carreira na Filosofia Experimental…:) Por que você não posta um projecto desse experimento no blog e vamos discuti-lo. Tenho certeza de que muita gente vai se interessar. Além disso, a ideia é exactamente essa, que novos experimentos possam dar-nos novas e melhores informações para a argumentação filosófica. Podemos fazer um experimento desse género ao mesmo tempo no Braisl e em Portugal. Que acha?

      1. Rodrigo Cid · ·

        Ótimo! Adoraria fazermos esse experimento em duas localidades diferentes. Já postei um tópico para começarmos a debater como faremos o experimento.

        Um abraço.

  5. Perfeito. Vou pensar um pouco melhor no experimento e posto aqui no blog.

    :D

    Abração!

  6. Rodrigo Cid · · Responder

    Vocês não acham que há algo de errado com essa experiência? Ela não me parece que sirva para dizer que pessoas acreditam que uma contradição é verdadeira, pois como ela poderia ser falsa? Se todas as respostas que os participantes são contraditórias, como eles poderiam não responder que contradições são verdadeiras? De fato, eles podiam. Como a experiência é feita em termos de nível de aceitação de uma proposição contraditória, a pessoa está apta a colocar o nível mínimo de aceitação. Se ela fizesse isso para todas as figuras, ela teria negado a veracidade das proposições contraditórias. Mas vejamos: há apenas 1 nível que é o de rejeição completa da proposição, 5 níveis menores que a aceitação completa e maiores que a rejeição completa, e 1 nível de aceitação completa. Essa experiência me parece inadequada, por dar mais oportunidades para aceitarmos em alguma instância a verdade da proposição do que para negarmos sua veracidade.

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