Filosofia e Filosofia Experimental

Susana Cadilha

No excerto abaixo transcrito, Jesse Prinz não se refere à filosofia experimental, especificamente. Mas podia perfeitamente fazê-lo. Trago-o como uma forma de mostrar que a filosofia, como tradicionalmente é concebida, e a filosofia experimental, não precisam travar uma guerra sem quartel. A batalha só se entende enquanto o que se reivindica, por parte dos filósofos experimentais, é, apenas, um espaço – espaço esse que os filósofos mais puristas não querem sequer conceder. A partir daí,  não se entendem as posições extremadas de acordo com as quais a filosofia experimental consiste num assassínio da filosofia. Porque esta em nenhum momento deixa de existir. A filosofia experimental pode trazer novos dados. Mas mesmo utilizando esses dados, a filosofia será sempre uma actividade argumentativa, que procura chegar a uma teoria em que a informação disponível seja integrada de forma coerente. Este é um trabalho de manipulação conceptual, nao é um mero esgrimir de dados empíricos. Ninguém prova uma teoria porque a maioria está consigo.

“I think enduring philosophical questions can be illuminated by empirical results, and, indeed, they might not endure so long if we use the resources of science. That said, I do not reject traditional philosophical methods, such as conceptual analysis. (…) I think that method often bears fruit, but sometimes introspection clash or fail to reveal the real structure of our concepts. So it is helpful to find other methods to help adjudicate between competing philosophical theories. These other methods cannot replace philosophy. Philosophy poses the problems we investigate, devises useful tools for probing concepts (such as thought experiments), and allows us to move from data to theory by systematizing results into coherente packages that can guide future research.”

(Jesse Prinz, The Emotional Construction of Morals, Oxford UP, 2007, p. 9)

2 comentários

  1. Concordo com você, Suzana. Não é o caso que a filosofia experimental acaba ou tenta acabar com a filosofia tradicional, embora alguns filósofos digam que fora dos experimentos, não há questões inteligíveis – não compartilho dessa idéia. Como adição à filosofia tradicional, a filosofia experimental parece que trará muitos frutos, já que nossas intuições por introspecção são por muitas vezes falha. Afinal é melhor ter dados exatos para falar que X é intuitivo. Embora, como já indiquei em outro tópico, a parte experimental da filosofia experimental me pareça psicologia, ela é muito útil para a filosofia e me parece que ela será mais um adendo (um ganho) do que um assassino da filosofia.

  2. susanacadilha · · Responder

    Sim, absolutamente, Rodrigo. Apesar de acima ter apenas feito referência a um dos lados da contenda, a minha crítica às posições extremadas visa os dois lados. Se eu considerasse, tal como tu reportas, que fora dos experimentos não há questões inteligíveis, então não faria sentido algum estar a estudar filosofia (e nem haveria lugar, tão pouco, para a disputa filosofia vs filosofia experimental).

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