O método experimental

Rodrigo Cid

Em outra postagem, estamos discutindo bastante a diferença entre filosofia analítica e filosofia experimental. Essa discussão nos leva a problemas bastante intrigantes sobre a essência da filosofia e das outras ciências. Porém, uma coisa ainda ficou por explicar: qual é a essência da filosofia experimental? E ainda: qual é o método experimental?

Não pergunto isso aqui com a finalidade de discutir as diferenças entre filosofia analítica e filosofia experimental – pois isso já estamos fazendo em outra postagem -, mas tenho como objetivos: tornar claro o que é a filosofia experimental e fazer com que todos os filósofos aqui presentes tenham o conhecimento para realizarem os testes paradigmáticos da filosofia experimental, se quiserem.

Como eu nunca realizei um experimento de filosofia experimental, não sei como fazê-lo. Questões técnicas como “como faço o número de pessoas pesquisadas representar um número maior de pessoas?” (como posso generalizar um experimento?), “quais são os tópicos de pesquisa relevantes?”, “quem deve compor o grupo teste e o grupo controle?”, entre outras, mostram-se importantes para que aprendamos a utilizar o método da filosofia experimental.

Peço, então, a todos os filósofos que já realizaram experimentos da filosofia experimental e pensaram os problemas da filosofia experimental, que indiquem passo a passo como fazer esses experimentos e como discuti-los.

4 comentários

  1. Caro Rodrigo,

    Estou preparando uma pequena lista de leituras que possa orientar os interessados, tanto em termos metodológicos, como temáticos.

    Não é possível dizer qual é “O” método da Filsofia Experimenal, pois não há um específico. Em princípio, todos os métodos disponíveis na pesquisa social/psicologia/neurociência estão disponíveis aos filósofos. É preciso verificar a adequação do método/experimento ao tema filosófico a ser tratado.

    Quanto aos “testes paradigmáticos”, não sei se usaria essa expressão. Podemos dizer experimentos mais conhecidos, mas não chegam a ser paradigmáticos, no sentido correcto da palavra. Na referida lista estarão os experimentos mais conhecidos e debatidos.

    Provisoriamente, você pode pesquisar nos links do blog, acho que encontrará um bom material para essa fase.

    Por fim, em 3 semanas vou terminar um experimento sobre a acrasia que estou realizando. O artigo terá uma parte de descrição metodológica. Assim que estiver pronto, “postarei” no blog para podermos discutir o método.

    1. Fabio Oliveira · · Responder

      Prezado Carlos Mauro,

      Soube de seu interesse e empenho em trabalhar com a questão da acrasia. Este material elaborado será vinculado ao projeto da filosofia experimental, ou trata-se de um trabalho paralelo, mas que dialoga diretamente com o tema proposto neste blog?

    2. Não há o método? Pode ser… Mas o que eu estou perguntando é algo como: 1) qual o número de pessoas mínimo para fazer o experimento?, 2) quais são as diferenças que temos que aplicar aos grupos teste e controle?, 3) quais são os tipos de respostas que devem ser colocadas às perguntas do experimento (aceitaçãoxrejeição, níveis de aceitação etc)?

      1. O que eu disse é que não há “um” método específico que seja utilizado na Filosofia Experimental, ou “o” método específico proposto pela X-PHI.

        As suas perguntas dependem de uma série de factores. Por exemplo, na pergunta 2 você faz referência ao grupo de controle, mas nem toda experiência que envolve entrevistas precisa de um grupo de controle…depende da natureza da questão a qual o filósofo se propõe investigar. Quando, por exemplo, se quer investigar se uma determinada variável é causa de outra variável, podemos utilizar, entre outros, um método chamado “simple experiment” (não como isso está traduzido para o Português – não sei se está de forma literal). Esse método pressupõe a existência de um grupo de controle e um grupo experimental – como no caso dos experimentos com remédios com o princípio activo X placebo. O importante é conseguir construir uma boa estratégia para adaptar esse método ao experimento derivado de uma questão filosófica. Na pergunta 3 você se refere às perguntas. Essa é outra questão que tem que ser pensada caso-a-caso. Por exemplo, se são questões abertas, ou fechadas; se são perguntas, ou afirmações a serem confirmadas, etc… Sobre as escalas, pode-se utilizar, como utilizo-me no experimento da acrasia, uma escala de concordância com 5, com 7, com 10 respostas etc. (a mais comum é Likert com 5), enfim, isso vai depender da sensibilidade às respostas agregadas que o investigador necessita. Isso para não falar dos experimentos que podem ser realizados através da neurociência cognitiva, por exemplo, que envolvem métodos diferentes desses. Além disso, é preciso definir qual o método estatístico que mais se adequa ao experimento.

        O que quero dizer é que não é possível escrever sobre “O” método, pois, como na ciência, cada experimento tem as suas especificidades e há mais de uma maneira de “buscar” as respostas.

        Vou tentar, nos próximos meses, pedir para especialistas em determinados métodos mais usuais (que podem ser, pelo menos, uns 20) que escrevam pequenos artigos introdutórios, com indicação para o filósofo estudar de maneira mais orientada e segura. Vou me servir também de alguns bons textos já escritos e que poderão ser traduzidos pelo blog. Como eu disse num dos posts, o filósofo pode aprender esses métodos com muita facilidade. Claro que precisará estudá-los, mas a formação filosófica permite que esse filósofo interessado esteja muito bem posicionado para aprender o que for.

        A sua pergunta é muito relevante, pois para quem quer começar a fazer experiências, ou mesmo discuti-las metodologicamente, é essencial que tenha uma boa introdução.

        Vou, então, tentar juntar esforços para isso. Vou, além disso, escolher 3 livros que possam servir como introdução para já. Tentarei fazer isso logo.

        Outra coisa que pode ser útil é a aproximação entre os filósofos e, por exemplo, psicólogos, ou neurocientistas cognitivos. Não digo que é muito fácil, mas acho que é possível, em algumas Universidades, encontrar pessoas de outras áreas interessadas em questões filosóficas, ou questões propostas por filósofos (que depois entrarão como dados na investigação do filósofo).

        Só por curiosidade, existem duas sociedades internacionais importantes que congregam filósofos e psicólogos. São elas: SPP – Society for Philosophy and Psychology e a ESPP – European Society for Philosophy and Psychology.

        SPP: http://www.socphilpsych.org/
        ESPP: http://www.eurospp.org/

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