Projeto: intuições sobre a verdade das contradições

Rodrigo Cid

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O paper de David Ripley “Contradiction at the borders” mostra que as intuições das pessoas com relação a algumas contradições (as contradições borderline, ou contradições de limite) é de que elas podem ser verdadeiras. As contradições borderline, tais como definidas por Ripley (p. 1), têm a forma “Fa e não-Fa”, sendo F um predicado vago e sendo a um caso limite de F. A maioria das pessoas entrevistadas por ele acreditam que em alguns casos é verdade que “o círculo está perto do quadrado e não está perto do quadrado”. Mas será isso realmente acreditar que uma contradição é verdadeira? Será que reconhecer como verdadeira uma frase que contém uma contradição é pensar que há contradições verdadeiras?

A minha previsão é de que as pessoas não admitiriam que há contradições verdadeiras. O experimento de Ripley apenas indica que as pessoas reconhecem como verdadeiras frases que contêm contradições em sua forma superficial. Acredito que em sua forma profunda tais contradições são diluídas em frases não-contraditórias. E é justamente por serem diluídas em frases não-contraditórias que as frases contraditórias podem ser verdadeiras.

Mas será que as pessoas também pensam dessa forma? Seria interessante fazer um experimento para medir as intuições das pessoas sobre a existência de contradições na parte profunda do discurso. Isso nos indicaria se as pessoas realmente acreditam que contradições são verdadeiras. Penso até que não precisamos restringir o experimento a contradições borderline, mas podemos realizar uma pesquisa com vários tipos de contradições. Algo como: 1) damos um certo contexto e indicamos uma frase contraditória, 2) perguntamos se ela pode ser verdadeira nesse contexto, 3) perguntamos o significado da frase contraditória; e fazemos todos esses passos para todos os tipos de contradições. Daí, caso a contradição seja diluída numa frase não contraditória pelo grupo pesquisado, isso mostraria que as pessoas não aceitam a existência de contradições na parte profunda do discurso, embora o aceitem na parte superficial. Caso a contradição não seja diluída, mas seja aceita, isso mostraria que as pessoas aceitam a existência de contradições reais na parte profunda do discurso. Caso a contradição não seja aceita e também não lhe seja asserido um sentido, isso mostraria que as pessoas não acreditam que há contradições reais.

O que vocês acham? Vocês podem me ajudar a aperfeiçoar o experimento?

Antes do experimento, precisamos responder:

-Quais são os tipos de contradições?

-Qual seria a melhor forma de apresentar o contexto da frase contraditória e a própria frase contraditória?

-Esses passos realmente são bons passos para medirmos a existência de contradições na parte profunda do discurso?

-…

One comment

  1. Rodrigo Cid · · Responder

    Link do texto “Contradiction at the Borders”: http://experimentalphilosophy.typepad.com/files/exvague.pdf

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