Você estaria Disposto a Entrar na Matrix?

Joshua Knobe

Tradução: Rodrigo Cid

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Bem antes de Hollywood nos apresentar The Matrix, os filósofos já estavam se perguntando sobre se seria certo escolher uma vida de ilusão, se com isso se pudesse adquirir uma existência mais prazerosa. A maneira usual de colocar esse problema é pedir ao leitor para imaginar que ele ou ela tiveram a oportunidade de entrar numa “máquina de experiência”. Se você entrasse nessa máquina, você teria a experiência de ser uma estrela do rock bem sucedida, e viver uma vida fabulosa, repleta de amigos interessantes, fãs adoráveis e desafios artísticos fascinantes… porém, em última instância, tudo seria uma ilusão. Na realidade, você estaria apenas sentado em uma máquina em algum lugar e tendo algum tipo de alucinação de que todas aquelas coisas maravilhosas estavam ocorrendo.

A visão tradicional era de que as pessoas escolheriam não entrar em tal máquina e de que este fato mostra que as pessoas não se importam apenas com ter experiências prazerosas, mas também com estar em contato com a realidade.

O filósofo experimental Felipe De Brigard realizou agora uma série de estudos interessantes que desafiam essa conclusão tradicional. Ele sugere que a falta de vontade das pessoas de entrar na máquina de experiência poderia ser devido não tanto a um interesse em estar em contato com a realidade, mas a um fenômeno chamado influência do status quo [status quo bias]. A idéia básica aqui é que as pessoas sofrem uma influência ao escolher entre opções que permitem que tudo permaneça da mesma forma que era. Se você está fora da máquina, você pode muito bem preferir ficar fora da máquina, apenas como um meio de evitar a mudança.

Para testar essa hipótese, De Brigard deu às pessoas uma estória que era, em essência, uma versão invertida da estória da máquina de experiência. Foi dito às pessoas para imaginarem-se descobrindo que eles já estavam numa máquina de experiência. Então lhe seria dito para imaginar-se descobrindo que você de fato não é uma pessoa intelectualmente curiosa lendo sobre filosofia num blog Psychology Today. Ao invés disso, você é de fato um indivíduo muito mais tedioso levando uma vida muito menos interessante, mas alguém, há muitos anos atrás, lhe deu a oportunidade de entrar numa máquina de experiência… E, depois de você ter concordado, ele apagou todas as suas memórias antigas de modo a você pensar que estava vivendo a vida que está vivendo agora. Se tudo se mostrasse o caso, você preferiria permanecer na máquina ou quereria partir para o mundo real?

Quando De Brigard deu aos participantes a estória da máquina experiência original e sua versão modificada, ele obteve um resultado surpreendente. Participantes que receberam a estória original disseram que preferiam se manter na realidade, porém os participantes que receberam a versão modificada disseram que prefeririam ficar na máquina!

Original em inglês: http://www.psychologytoday.com/blog/experiments-in-philosophy/200804/would-you-be-willing-enter-the-matrix

Por Joshua Knobe, em 13 de Abril de 2008 – 20:13

7 comentários

  1. Cardona · · Responder

    De facto este é um estudo bastante interessante.

    Mas questiono-me se o facto de, no segundo caso, afirmar que se regressa a uma vida entediante, não irá influenciar as respostas. Além do mais, está aqui explicitada que já fizemos a uma escolha previamente: a de abandonar a nossa vida real, e entrar na “vida” proporcionada pela maquina. Isso pode levar-nos a concluir que a vida que tinhamos era efectivamente muito má, criando assim um receio,creio eu, natural de regressar ao que se tinha. Talvez se o cenário fosse mais parecido com o do filme (estar logo à partida no mundo da maquina, sem ter tido qualquer escolha), as respostas fossem diferentes.
    De qualquer das formas, ainda não estou ciente de todos os aspectos do estudo, mas só com o que está aqui, foi a primeira coisa em que pensei!

  2. O post é muito interessante!
    Trabalho com este assunto só que voltado para o ceticismo.
    Este mundo de matrix é muito parecido com o argumento do cerebro na cuba de Putnam.

  3. Prezados, a teoria apresentada é interessante. Sabemos que não estamos vivendo numa realidade virtual, mas não é esse o cerne da questão. Em verdade deveríamos estar nos perguntando “QUANDO” esse tipo de tecnologia irá nos proporcionar experiências psicossomáticas a ponto de questionarmos o que é realidade e o que é ficção. O momento tecnológico que nos encontramos não é tão distante assim dessa realidade-ficção da Matrix. Entretanto, provavelmente, não seremos forçados a aceitar essa nova realidade, mas assim como a energia elétrica, a luz, o telefone, o computador e a internet, nós seremos seduzidos a ponto de querer experimentar e termos um modelo só para nós. O momento está próximo. Preparai-vos. Eric

  4. casperdim · · Responder

    como que vçs podem ter certeza q essa realidade é a nossa.

  5. Luã Cesar · · Responder

    Bem, se está ”vida” que levamos é realmente real, eu estaria disposto a entrar numa máquina para viver não somente o que todos definem como ” vida perfeita”(Muito dinheiro, mulheres e poder), mas sim uma experiência nova, não quero dar uma de ”espertalhão”, mas com certeza o que vivemos não é nada perfeito para não analisarmos a hipótese de entrar numa máquina e ter experiências boas (inclusive más).

  6. sim estaria desposto a entrar em matrix!

  7. ENTÃO CARA EU QUERO ENTRAR NO MUNDO MATRIX

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