O Que é a Filosofia Experimental? (J. Knobe)

Traduzido de: Knobe, J. (forthcoming), “What is Experimental Philosophy”. The Philosopher’ Magazine.

 

Traduzido com autorização do autor.
Tradução: Pedro Cardona
Revisão Técnica: Susana Cadilha e Carlos Mauro

 

Desde o início da filosofia analítica que tem sido prática comum apelar a intuições sobre casos particulares. Tipicamente, o filósofo apresenta uma situação hipotética, e depois faz uma afirmação do tipo: “Neste caso, seguramente diríamos…” Esta afirmação sobre as intuições das pessoas forma então parte de um argumento para uma teoria mais geral acerca da natureza dos nossos conceitos ou do nosso uso da linguagem.

Um aspecto intrigante desta prática é que raramente se faz uso de métodos empíricos comuns. Apesar de os filósofos frequentemente fazerem afirmações sobre “o que as pessoas normalmente diriam,” eles raramente confirmam essas afirmações perguntando efectivamente às pessoas, e procurando padrões nas suas respostas. Em anos recentes, contudo, um certo número de filósofos tentou colocar essas intuições à prova, usando métodos experimentais para descobrir o que as pessoas realmente pensam acerca de casos hipotéticos particulares. Em alguns casos, os resultados têm sido extremamente surpreendentes.

Aqui, discuto as aplicações desta nova metodologia a três áreas da filosofia – a filosofia da linguagem, a teoria da acção, e o debate sobre o livre arbítrio.

Filosofia da Linguagem

Um dos mais influentes apelos à intuição na filosofia analítica recente tem sido a história de Gödel e Schmidt, de Saul Kripke:

Suponha que Gödel não era de facto o autor do teorema [de Gödel]. Um homem chamado ‘Schmidt’… na verdade fez o trabalho em questão. O seu amigo Gödel, de alguma forma, conseguiu a posse do manuscrito, e a partir daí foi atribuído a Gödel. Numa determinada perspectiva [a então popular teoria ‘descritivista’], quando o homem comum usa o nome ‘Gödel’, ele pretende realmente referir-se a Schmidt, porque Schmidt é a única pessoa que satisfaz a descrição ‘o homem que descobriu a incompletude da aritmética’.

Os leitores desta história quase que universalmente concordaram que a palavra ‘Gödel’, de facto, não se referia a Schmidt. Qualquer teoria que declarasse Schmidt como sendo o referente de ‘Gödel’ assumia-se, então, como incorrecta.

Levanta-se, contudo, a questão de saber se toda a gente partilha esta intuição, ou se ela é só partilhada pelas pessoas que normalmente lêem filosofia Anglo-Americana. Os filósofos Edouard Machery, Ron Mallon, Shaun Nichols and Stephen Stich, recentemente, conduziram um estudo empírico para lidar com a questão. Foi apresentada a todos os indivíduos participantes a história de Gödel e Schmidt. Mas a forma como o estudo foi concebido incluiu uma reviravolta surpreendente. Alguns dos indivíduos eram americanos; outros eram residentes em Hong Kong. Como esperado, os americanos partilhavam as intuições da maioria dos filósofos analíticos. Mas os indivíduos de Hong Kong mostraram um padrão diferente de respostas. Entre estes, a maioria disse que a palavra “Gödel” de facto se referia a Schmidt.

Este recente resultado – juntamente com resultados similares em estudos de ética e epistemologia – sugere que as pessoas asiáticas podem não partilhar muitas das intuições nas quais teorias filosóficas amplamente aceites se baseiam.

 Teoria da Acção

As pessoas normalmente distinguem comportamentos que são realizados de forma intencional (por exemplo, pegar num copo de vinho) daqueles que são realizados não intencionalmente (por exemplo, entornar vinho na camisa de alguém). No entanto, tem-se provado ser bastante difícil dizer em que é que esta distinção consiste. As pessoas normalmente têm intuições claras sobre se um comportamento particular conta como sendo ‘intencional’, mas muitas vezes não é claro qual o aspecto particular desse comportamento que é responsável por essas intuições.

Numa série de experimentos recentes, Joshua Knobe mostrou que as intuições das pessoas podem na realidade ser afectadas pelas qualidades morais do comportamento em si. Ele imaginou pares de situações que eram similares em quase todos os aspectos, mas diferiam na sua significância moral. Em certos casos os sujeitos estavam muito mais dispostos a dizer que um comportamento era realizado intencionalmente quando esse comportamento era moralmente mau, do que quando o comportamento era moralmente bom.

Assim, por exemplo, consideremos a seguinte situação:

O vice-presidente de uma empresa foi ter com o presidente do quadro e disse: “Nós estamos a pensar em começar um novo programa. Vai ajudar-nos a aumentar os lucros, mas vai também prejudicar o ambiente.”

O presidente do quadro respondeu: “Não me importo rigorosamente nada com o prejuízo do ambiente. Só quero fazer tanto lucro quanto possível. Vamos iniciar o novo programa.”

Eles começaram o novo programa. Consequentemente, o ambiente foi prejudicado.

Confrontados com esta situação, a maioria das pessoas disse que o presidente do quadro prejudicou intencionalmente o ambiente.

Mas suponhamos agora que trocamos a palavra “prejudica” por “beneficia”. A situação fica então assim:

O vice-presidente de uma empresa foi ter com o presidente do quadro e disse: “Nós estamos a pensar em começar um novo programa. Vai ajudar-nos a aumentar os lucros, e vai também beneficiar o ambiente.”

O presidente do quadro respondeu: “Não me importo rigorosamente nada com o benefício do ambiente. Só quero fazer tanto lucro quanto possível. Vamos iniciar o novo programa.”

Eles começaram o novo programa. Consequentemente, o ambiente foi beneficiado.

Confrontados com este segundo caso, muito poucos sujeitos disseram que o presidente do quadro beneficiou intencionalmente o ambiente.

Indicará este resultado que as considerações morais são realmente relevantes no nosso conceito de acção intencional? Ou simplesmente mostra que os nossos juízos podem por vezes ser distorcidos por sentimentos de culpa? Várias teorias concorrentes foram propostas, mas ainda não se chegou a nenhum consenso real. Claramente, é necessária mais pesquisa.

Livre Arbítrio

Se tudo o que fazemos é de alguma forma determinado pelas leis da física, de tal forma que, então, um computador enorme seria, em princípio, capaz de prever todas as nossas acções, podemos, ainda assim, ser moralmente responsáveis pelas decisões que tomamos? Muitos filósofos sustentam que a resposta intuitiva a esta questão é não. Assim, Robert Kane escreve:

Na minha experiência, as pessoas comuns, na sua maioria, começam por ser incompatibilistas naturais.

Eles acreditam que há alguma espécie de conflito entre liberdade e determinismo; e a ideia de que liberdade e responsabilidade podem ser compatíveis com o determinismo parece-lhes à primeira vista como um “lamaçal de evasão” [“quagmire of evasion”] (William James) ou um “subterfúgio miserável” [“wretched subterfuge”] (Immanuel Kant). As pessoas comuns têm de ser convencidas a abandonar este incompatibilismo natural pelos argumentos inteligentes dos filósofos.

Claramente, esta afirmação acerca das intuições das pessoas é empírica, e deveria ser possível testá-la usando métodos empíricos normais.

Numa série de experimentos recentes, os filósofos Eddy Nahmias, Thomas Nadelhoffer, Jason Turner e Steve Morris fizeram precisamente isso. Aos participantes era apresentada a seguinte história:

Imagine que no próximo século descobrimos todas as leis da natureza, e construímos um super computador que pode deduzir a partir destas leis da natureza e do actual estado de coisas no mundo, exactamente tudo o que acontecerá no mundo em qualquer altura do futuro. Pode verificar tudo acerca de como o mundo é, e prever tudo acerca de como será com 100% de exactidão. Suponha-se que tal super computador exista, e olha para o estado do universo, num determinado ponto, a 25 de Maio de 2150 d.C., vinte anos antes de Jeremy Hall nascer. O computador deduz então, a partir desta informação e das leis da natureza, que Jeremy vai definitivamente assaltar o Fidelity Bank às 18:00h do dia 26 de Janeiro de 2195. Como sempre, o super computador está correcto; Jeremy assalta o Fidelty Bank às 18:00h do dia 26 de Janeiro de 2195.

Em seguida perguntava-se se o Jeremy poderia ser moralmente condenado por roubar o banco: Uns sólidos 83% disseram que sim. Este resultado questiona o ponto de vista generalizado de que as pessoas normalmente vêem o determinismo como sendo incompatível com a responsabilidade moral.

Resultados similares foram obtidos num estudo conduzido por Rob Woolfolk, John Doris e John Darley. Os investigadores construíram histórias acerca de pessoas que queriam realizar uma acção imoral, e que depois eram colocadas em circunstâncias em que não podiam evitar realizar essa mesma acção. (Por exemplo, uma história acerca de uma pessoa que quer matar alguém, e que depois é forçada a matar essa mesma pessoa porque terroristas lhe deram uma “droga de obediência” que lhe torna impossível resistir a cumprir essa ordem.) Apesar dos sujeitos nestes experimentos saberem que era impossível ao agente agir de outra forma, a maioria sentiu que ele era moralmente responsável pelo seu comportamento. Este resultado, mais uma vez, parece debilitar a afirmação de que as pessoas são ‘incompatibilistas naturais’ ou naturalmente incompatibilistas.

Conclusão

A Filosofia experimental é uma área relativamente nova de investigação, e ainda há muito trabalho importante que deve ser feito. Contudo esta área parece estar a crescer rapidamente. Certamente veremos um número de resultados surpreendentes nos anos vindouros.

Bibliografia Citada

 Knobe, J. (2003). International Action and Side Effects in Ordinary Language. Analysis, 63, 190-193.

 Machery, E., Mallon, R., Nichols, S., & Stich, S. (2004). Semantics, Cross-Cultural Style. Cognition, 92, B1-B12.

 Nahmias, E., Nadelhoffer, T., Morris, S., & Turner, J. (2004). Surveying Free Will: Folk Intuitions about free will and moral Responsability. Unpublished manuscript. Florida State University.

 Woolfolk, R., Doris, J., & Darley, J. (2004). Attribution and Alternate Possibilities: Identification and Situational Constraint as Factors in Morals Cognition. Unpublished manuscript. Pinceton University.

11 comentários

  1. Ótimo exemplos. Agora peguei a idéia (eu acho). Agora vejo que a filosofia experimental é uma contribuição importante.

  2. […] queiram saber de maneira introdutória o que é a x-phi a leitura do texto do Joshua Knobe (O que é a Filosofia Experimental?) – há bons exemplos e é um texto claro. Os outros dois textos podem ser lidos na sequência […]

  3. Rodrigo Cid · · Responder

    Finalmente algo concreto para medir as intuições das pessoas. Muitos dos argumentos da filosofia contemporânea se centram em intuições. E às vezes esquecemos como as intuições costumavam variar entre pessoas e entre culturas. Acredito que a filosofia experimental será um ótimo meio de adquirirmos os dados empíricos relevantes a fim de eveitarmos a falácia da generalização apressada.

  4. sinceramente, não me convenceu…

    no caso do ‘intencional’ é uma questão de linguagem, sobre os diferentes usos da palavra ‘intencional’.

    no caso sobre incompatibilismo, este começa sendo entre liberdade e determinismo, e de repente muda para responsabilidade moral e determinismo…

    e por que o estudo empírico das intuições humanas em cada exemplo que podemos inventar seria filosofia?

    1. sinceramente, não me convenceu…

      Você já fez o que para mim é o mais importante e relevante: leu e comentou. Agradeço a sua disponibilidade e espero continuar esse debate.

      no caso do ‘intencional’ é uma questão de linguagem, sobre os diferentes usos da palavra ‘intencional’.

      Sim, é uma questão de linguagem e de conceitos. É importante perceber que os filósofos, de fato, apelam às intuições que têm acerca das intuições das pessoas comuns para justificar determinadas premissas dos seus argumentos. Sendo assim, o uso desses conceitos (folk concepts) são essenciais para uma boa parte da filosofia contemporânea. Se tiver oportunidade, leia o Manifesto (em traduções) – ainda está sob revisão, mas já dá para ler.

      no caso sobre incompatibilismo, este começa sendo entre liberdade e determinismo, e de repente muda para responsabilidade moral e determinismo…

      A responsabilidade moral tem uma ligação direta e imediata com o conceito de livre-arbítrio. Isto é, presume-se que alguém só pode ser responsável moralmente por suas ações caso as tenha realizado livremente. Isso é simplificador, mas pode ajudá-lo a ver como esses dois conceitos se relacionam.

      e por que o estudo empírico das intuições humanas em cada exemplo que podemos inventar seria filosofia?

      Não sei se compreendi bem a sua pergunta, mas uma importante função da x-phi é “testar” as intuições dos filósofos acerca das intuições das pessoas comuns. Por outro lado, uma boa parte dos temas relevantes da filosofia é constituída por questões mais gerais e profundas, acerca das quais as intuições comuns (folk intuitions) são relevantes. São porque dão-nos dados que podem vir a ser centrais na argumentação filosófica. A x-phi não pretende reduzir metodologicamente a filosofia, pelo contrário, é uma visão pluralista que inclui os métodos experimentais. Nesse sentido, o filósofo só tem a ganhar.

  5. embora essa discussão seja nova, pelo menos para mim, me ficaram algumas questões e impressões ao ler alguns textos e debates neste blog.

    a x-phi, me parece um requerimento da filosofia pelo status de ciência e realmente acho que a filosofia não precisa disso.

    me parece preocupante a questão, do ponto de vista metafísico, uma vez que a ciência ( através dos experimentos cietíficos envolvidos nesta experiência), parece ditar os liames dessa investigação e ser o método que está como pano de fundo da pesquisa, o que põe em risco a questão da “essência” da filosofia, se é que esta existe, ou se de fato queremos lhe atribuir uma.

    convenhamos, começar uma pesquisa deste tipo, já estabelecendo métodos que por si já antecipam o modo como as coisas vão acontecer, é uma determinação “prévia”, do que se almeja, seja isso intencional ou não. acredito que não, pois deste modo não seria uma pesquisa, muito menos filosófica, embora com certeza científica.

    no que concerne à filosofia, me parece que esta, está sob o mesmo perigo em que se encontrou a física quando incorporou os métodos matemáticos. é um perigo ontológico.

    acredito que é o momento de repensar o papel da filosofia diante das novas configurações de nossa época. entretanto, pensar a filosofia na perspectiva da ciência, ou a ela atrelada, é um tanto preocupante, uma vez que a ciência, traz consigo o caráter de “asseguradora da verdade”, que lhe é dado via métodos bastante definidos que lhe fundamentam.

    essas determinações e “segurança” próprias da ciência não podem garatir verdades filosóficas, pois estas não podem ser medidas nem calculadas. tampouco estimuladas para que o homem aja de determinada forma, como ratos de laboratório que respondem a determinados estímulos. não há uma garantia desse tipo na filosofia, pois ao mesmo tempo em que é comum, é também de cada homem. não há como determinar um padrão, quando se faz filosofia. ou é?

    bom, desculpem se pareço um tanto passional. enfim, se de fato o “thaumas é a arché da physis”… que comece o debate.

    aguardo respostas.
    obrigada.
    nani.

    1. susanacadilha · · Responder

      O que a filosofia experimental propõe não é apoderar-se dos métodos da ciência e assim transformar os problemas filosóficos em problemas científicos, e de resolução científica. Pelo contrário, a filosofia experimental procura trazer para a discussão ainda mais problemas – e o de saber se existe ou não uma “essência” da filosofia, como diz, é um deles. Sugerimos que passe pelo post, e subsequentes comentários, em que se afloram essas questões – acerca da diferença entre filosofia analítica tradicional e filosofia experimental – e que nos deixe lá os seus comentários.

  6. O texto é bom. Na verdade é uma “notícia” sobre pesquisas. Porém, as informações já despertam curiosidade s essa tendência q pede reconhecimento dentro da filosofia contemporânea. Ñ s filósofo porém sei c absoluta certeza que qualquer cientista (infelizmente o mesmo ñ se pode dizer dos professores) reconhece ou devria reconhecer que tudo devemos ao nosso”pai fundador”, o Lord Chanceler Sir Francis Bacon. Consciente ou não essa tal filosofia experimental promete realizar o sonho baconiano de suporte científico para o pensamento e a especulação. E voilá, estamos diante da indução empírica de Sir Francis. Acho com modestíssima opinião que a ciência não somente pode como dve ser usada como suporte para a especulação. A segunda ganharia da primeira a precisão empírica, a formalização e especialmente a ECONOMIA nos termos para resolução de problemas: um bônus e tanto! Não vejo crise de identidade, apenas o sonho de Sir Francis se realizando. Pode ser uma luz n f do túnel: Aquela que todos os pesquisadores esperam: a proximidade da Nova Atlântida. AT. ZOG

  7. nilson vieira · · Responder

    Antonio Damasio(neurologista) em suas pesquisas constatou que a maioria das nossas açoes sao reflexos automaticos, principalmente expressoes do corpo que indicam emocoes, por exemplo raiva, etc..
    Os sentimentos seriam experiencias acumuladas e usadas quando necessárias.
    Portanto o Livre Arbitrio seria praticamente uma figura de ficcao.

  8. […] publicado em 2004 por Joshua Knobe, professor da prestigiosa Universidade Yale (uma tradução do texto pode ser lida num blog em português dedicado ao assunto). Depois disso, a disciplina conquistou […]

  9. A concluir pelos exemplos oferecidos, x-phi parece um instrumento de análise enriquecedor do debate filosófico. Todavia, questiono o suposto caráter empírico dos exemplos. As respostas das partícipes das experiência, estas sim, podem ser empíricas. Mas não creio ser possível se verificar se, quando a experiência pede que o leitor “suponha” determinada situação, exemplo, característica, etc., que ele realmente suponha aquilo que o exercício pede. Daí o peso que parece possuir a variação linguística e gramatical em certos casos observados. Se nos delimitamos no terreno das intuições, ótimo. Se consideramos essas intuições empíricas, entendo que nos equivocamos.
    Para além da polêmica, quero saudar e parabenizar a iniciativa.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: