O que a Filosofia Experimental significa para a Psicologia Tradicional? (David Pizarro)

Tradução: Rodrigo Cid

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Eu tenho uma confissão a fazer. Embora nosso grupo de bloggers seja descrito como um “bando de filósofos”, eu tenho que vestir um personagem para falar. Na vida real, eu sou mais e mais umpsicólogo. Então, sou grato aos meus colegas que são realmente filósofos por me darem um “passe” para contribuir com esse blog (e com o campo de pesquisa). No fim do dia, eu gosto de pensar que a filosofia experimental é na verdade psicologia social com um novo conjunto de questões para investigarmos.

Mas ainda, o que um psicólogo está fazendo num blog sobre filosofia experimental? Além da quota requerida de 1 psicólogo por blog Psycology Today (ok, eu inventei isso), aqui está uma resposta mais interessante, embora indireta. Tal como Joshua explicou em sua primeira postagem, não costumava haver tanta distinção entre filosofia e psicologia. Na verdade, na minha própria  instituição, os primeiros 20 anos de psicologia eram ensinados dentro do departamento de filosofia. Por muitas razões, a filosofia e a psicologia logo se separaram — isso faz sentido, dado que a psicologia estava lutando para se tornar uma disciplina científica por direito próprio. Porém, o que ocorreu foi que a divisão entre elas duas não foi muito profunda. Os psicólogos nunca pararam de ser influenciados pelos filósofos (tal como é mais evidente na ciência cognitiva, que entre outras disciplinas inclui a filosofia e a psicologia cognitiva), e filósofos continuaram a escrever sobre assuntos psicológicos.

Minha escolha de carreira foi um resultado direto da relação em curso entre filosofia e psicologia. Uma das razões primárias pela qual eu originalmente me interessei por psicologia foi que eu estava intrigado com algumas das “grandes” questões sobre como a mente funciona, as quais eu tinha sido exposto ao ler filosofia como um estudante universitário. Em vez de ir para a graduação em filosofia, entretanto, eu estava empolgado com a possibilidade de descobrir novas coisas sobre a mente por meio de experimentos, o que me levou a conseguir treinamento em psicologia empírica. Mas eu não conseguia remover a sensação de que os filósofos estavam tratando de questões fundamentalmente interessantes (algumas vezes bem mais interessantes do que as questões da psicologia que eu estava lendo); assim, eu mantive uma vida não-tão-secreta de filósofo amador.

Assim, quando eu ouvi pela primeira vez sobre filosofia experimental (por meio de  Joshua Knobe, companehiro de blog, cujo trabalho eu conhecia por causa de suas publicações em periódicos de psicologia social), eu estava muito empolgado com o fato de que um grupo de filósofos estava voltando sua atenção para o processo empírico. Mas eu estava ainda mais empolgado com o fato de que um psicólogo empírico bem treinado como eu, que nunca foi apto a se livrar do seu amor pela filosofia, poderia ter a chance de colaborar com pessoas que estavam tratando de questões tão interessantes. Assim que terminei de navegar pelo site do Thomas Nadelhoffer (um ótimo lugar para encontrar filósofos experimentais discutindo seus trabalhos uns com os outros), compartilhei meus interesses de pesquisa com muitos filósofos experimentais; eu estava fazendo um trabalho que eles consideravam filosofia experimental e eles estavam fazendo um trabalho que eu considerava psicologia social.

O que continua a me empolgar com relação à filosofia experimental não são apenas as questões interessantes que esse grupo de filósofos fazem, mas as ferramentas que eles trazem para a abordagem empírica. Como estudantes de psicologia, somos treinados para sermos rigorosos em nossa abordagem empírica (projeto experimental, métodos, análises estatísticas etc). A filosofia tradicional pouco necessita dessas ferramentas, mas os filósofos recebem um treinamento que enfatiza a clareza e o rigor de pensamento que pode ser de imenso valor para um cientista social contruindo e testando teorias. Não é um insulto para nenhum dos campos dizer que há um benefício claro na cooperação. (E certamente eu não sou o primeiro a perceber isso.  Afinal, estamos falando de filosofia num site chamado Psychology Today.)

Tendo dito isso, em meu papel como psicólogo (que eu abraço com humildade), vou me esforçar e falar mais frequentemente sobre os resultados da minha própria área (psicologia social) e sobre como eles se relacionam como a filosofia experimental.

Original em inglês: http://www.psychologytoday.com/blog/experiments-in-philosophy/200803/what-experimental-philosophy-means-traditional-psychology

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